No meu Blog do Chiarella anterior comentei sobre a necessidade de os alunos, as crianças e os jovens, se sentirem valorizados dentro e fora de suas casas durante e depois desta pandemia do Covid-19, e agora quero falar sobre os professores, especialmente os da rede pública de ensino, que trabalham para a ineficiente Prefeitura de Santos, cidade onde moro e sobre a qual escrevo. Normalmente citamos os alunos, que foram, são e continuam a ser, o principal alvo de todos os que trabalham com Educação. Nosso objetivo é que eles sejam o futuro de Santos, do Brasil e, quem sabe, até do mundo!
No entanto, também temos de nos lembrar dos professores, que são aqueles que ajudam a formar nossos filhos para a vida. Claro que as crianças e os jovens do Fundamental I e do Fundamental II, responsabilidades diretas da secretária de Educação de Santos, também merecem uma atenção que, infelizmente, não têm recebido, mas não podemos deixar os mestres de lado. Em hipótese alguma os professores podem ser relegados. Assim como os alunos, claro que de forma diferente, eles precisam se sentir acolhidos, precisam se sentir valorizados e preparados para retornar às aulas, seja lá quando isso acontecer. Assim como todos nós, eles passam por inquietações, sofrem, enfrentam a angústia dos dias em casa, apesar de viverem uma situação totalmente nova, a de estarem distantes de seus alunos e passarem conhecimento on line direto de suas casas.
Eles precisam ser ajudados a voltar às aulas, pois as últimas gerações não enfrentaram um problema semelhante a este provocado pelo Covid-19 e, consequentemente, não estávamos preparados para a pandemia que nos aflige. Além dessa ajuda psicológica para alunos, professores, diretores e todos os ligados à área do ensino público, o prefeito de Santos deveria abrir mais seus olhos e colaborar mais com sua secretária de Educação para enfrentar os novos tempos. A impressão que se tem é que nenhum dos dois, e nem mesmo seus auxiliares, acordaram para o momento diferenciado que vivemos e que tem de ser aproveitado da melhor maneira possível. Como eu, professor Chiarella, já escrevi aqui neste espaço catástrofes como esta podem nos educar, podem nos ensinar muito. Depende de como as recebemos e vemos. É isso o que nosso prefeito precisa entender.
Os professores, que se tem esforçado para dominar as novas tecnologias em busca de dar continuidade aos ensinamentos, agora on line – a despeito das falhas estruturais que já citei neste meu espaço – precisam ser capacitados a usar as ferramentas disponíveis na internet, e a se adaptar às novas e modernas plataformas de ensino. Qualquer líder público com um mínimo de noção de Educação precisaria capacitar os professores – com cursos e palestrantes de alto nível – para transformá-los em multiplicadores. A atual administração está aí há quase oito anos e até agora quase nada fez nesse sentido. Para passarem conhecimento com maior intensidade e propriedade, os professores precisariam ter amplo domínio sobre a matéria, sobre a tecnologia e tudo o mais. Falo especificamente dos professores, mas meu pensamento abrange a todos os profissionais ligados a esse contexto educacional.
Nossos mestres das escolas públicas – pois a particular está em nível bem acima – estão tentando se adaptar às novas tecnologias, estão se reiventando, mesmo com salários baixos e pouco ou nenhum reconhecimento pelo trabalho de formação das nossas crianças e dos nossos jovens. Com muito talento, trabalho duro, criatividade e superação, eles têm mostrado que aprenderam a lidar com o imprevisível e não deixam para amanhã o que podem – e estão fazendo – hoje. Os professores me lembram da Fênix, um personagem mitológico que renascia das próprias cinzas. Parabéns por tudo o que fazem e têm feito meus colegas professores! Vocês são raros!
José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.