• Acesse as minhas redes sociais:

Nos últimos tempos ganhamos tempo suficiente para pensar mais no futuro. Isolados em casa pela ação do coronavírus, passamos a ter horas, dias, semanas para avaliar nossas vidas, para repensar nossos relacionamentos, para fortalecê-los e também para sonhar. Sonhar não sonhos impossíveis, mas possíveis de se tornarem realidade. Um dos que me tem aparecido, com os olhos abertos, é o de ver a Educação em Santos ser valorizada, ver os professores respeitados e capacitados e nossos alunos preparados para o futuro. Eu, professor Chiarella, quero ver a rede municipal de Santos, a cidade onde moro, preparar bem os alunos do Fundamental I e Fundamental II. Quero que as escolas os deixem prontos para, em curto espaço de tempo, enfrentarem os exames do Enem e a dura concorrência pelas vagas nas universidades públicas.

O prefeito de Santos e a secretária de Educação precisam disponibilizar cursos de capacitação para os professores reavaliarem suas aulas diante de crianças e jovens altamente envolvidos com tecnologia. Eles precisam falar a mesma língua. Os jovens e as crianças precisam entender claramente o que lhes é passado e a importância das matérias curriculares. Existe também a necessidade de entenderem para que servem as aulas de Matemática, de História, de Geografia, de Português, de Ciências entre outras. A Educação em Santos tem de dar uma excelente base para que os alunos completem seus estudos em boas universidades e busquem as melhores vagas no mercado de trabalho nacional.

A Prefeitura tem o dever de investir na preparação das pessoas que são o futuro dessa nossa cidade. Precisam trabalhar muito para melhorar o nível das aulas e dar uma formação boa em busca de eles evitarem a informalidade. Essa mesma informalidade que nesta época de Covid-19 dá um auxílio de R$ 600 para uma família de seis pessoas. Como sobreviver com esse dinheiro durante um mês? É pouco, muito pouco. E isso acontece, em muitos casos, com crianças e jovens mal preparados pela escola municipal, que cria a base dos estudos deles. O processo educacional não é imediatista. É um caminho longo e contínuo e precisamos ter agora, agora mesmo, a implantação de uma política educacional diferenciada. É pedir muito para uma administração de Santos que está aí há oito anos e praticamente nada fez para valorizar a Educação?

Por que não correr para investir nos nossos professores, nos nossos alunos, na estrutura das nossas escolas como fizemos recentemente em hospitais de campanha devido ao coronavírus? Claro que a situação é outra, mas diria que a urgência é a mesma, pois os jovens e as crianças carecem de boa base de estudos e eu não vejo a cidade de Santos investir, por exemplo, na capacitação dos professores em utilizar ferramentas tecnológicas como as usadas nas aulas on line. Provavelmente a partir do dia 10 de maio a quarentena será afrouxada, as aulas voltarão gradativamente de acordo com o entendimento do governador de São Paulo, a quem o prefeito de Santos obedece cegamente.

Com essa ligação política, Santos não tem autonomia para decidir, pois se não seguir as ordens do governador João Dória, a cidade pode sofrer sanções. Sério mesmo? O que o governador pode fazer que o Presidente da República, a maior autoridade do País, não pode? Se o Governo Federal não pode dar pitacos em Santos, muito menos o Governo Estadual deveria. Mas o prefeito caminha nos passos do Dória.

Como já escrevi neste Blog do Chiarella, me preocupa como os alunos retornarão às escolas depois desse tempo longe das aulas presenciais. Especialmente as crianças do Fundamental I, que por serem mais jovens, são mais carentes da presença dos professores. Assim que as aulas voltarem, os professores terão, basicamente, quatro meses (agosto, setembro, outubro e novembro) para suprir todas as necessidades educacionais dos alunos neste ano de 2020. Não aceito que teremos um ano perdido, pois a verba da Educação está lá e o prefeito e a secretária de Educação precisariam pensar e encontrar outra forma de investir esse dinheiro para o bem dos santistas como um todo e especialmente das crianças e dos jovens das escolas municipais.

Já passou da hora de nossos jovens subirem a serra em busca das boas vagas de emprego. Chega disso! Precisamos, sim, fazer os empregos descerem a serra e para isso temos de dar uma boa base de educação para eles, preparar a base deles adequadamente, responsabilidade da Prefeitura de Santos, também oferecer oportunidades de implantação de outras boas universidades, como temos algumas aqui na cidade. Temos de formar melhores pesquisadores e criar centros mais bem estruturados. Temos tudo para formar os melhores. Formá-los e mantê-los trabalhando e gerando riqueza aqui em Santos, uma das melhores cidades do Brasil e do mundo para se morar e que também precisa ser para se produzir.

Vejam o exemplo da Praia Grande. Uma cidade que fica aqui do lado da nossa e está dando exemplo de boa gestão e crescendo, melhorando a qualidade de vida de sua população e gerando riqueza. Quem se lembra da Praia Grande de alguns anos atrás? Comparem e vejam a diferença que faz uma boa gestão em contraponto com uma administração sofrível como a nossa em Santos!

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.