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Para que todos entendam bem as colocações sobre Educação que faço neste blog, é preciso deixar bem claro alguns pontos. Estou focado na cidade de Santos, para a qual tenho importantes ideias que poderiam ser facilmente colocadas em prática. Comecei falando da carência dos professores, da necessidade de os alunos estudarem o mais próximo de suas escolas, a urgência de pais conhecerem melhor onde a garotada estuda e se aproximarem para serem ouvidos e participar de decisões. Depois vim com o assunto dos alunos do Fundamental I, com alunos da recentemente criada Geração Alfa. Citei características dos pequenos e agora é a vez do Fundamental II, que tem crianças e jovens entre 11 e 15 anos. Eles integram a denominada Geração Z, com integrantes nascidos a partir de 1995 e considerada a primeira geração que nasceu digital.

Esse fato de serem digitais é somente um dos vários pontos destacados pelos estudiosos do assunto, e por isso os alunos necessitam de atenção especial e direcionada ao seu modo de vida, bem diferente daquele de boa parte da família adulta. Eles requerem um conteúdo pedagógico diferenciado, que se adapte ao seu nível de atenção com os fatos. Para que isso aconteça os professores precisam perceber a mudança e, mais do que isso, serem preparados para lidar com esse, digamos assim, fato novo, essa geração de alunos.

A mudança do Fundamental I para o Fundamental II é grande na cabeça dos pequenos. Nessa transição ocorre um rompimento significativo, pois eles deixam de ter um professor único, a quem, normalmente chamam de tia ou tio, e passam a ter vários professores e a se socializar de maneira distinta. No Fundamental II o aluno começa a aprender a se planejar, passa a ter agenda, pois surgem as provas com dias marcados e, com isso, eles ganham responsabilidades, algo de pouca importância na fase anterior, pois eram cuidados mais de perto. Agora começam a ganhar asas e fazer voos curtos, adquirem habilidades socioemocionais, fato que será aumentado na fase seguinte: o Ensino Médio. Mas sobre essa etapa falaremos um pouco mais para frente, pois não integra a responsabilidade total do Município de Santos, já que é dividido com o Estado de São Paulo.

O Fundamental II não fornece somente o conteúdo das matérias curriculares. A escola os ensina a viver, eles começam a ser formados para a vida. Vejam a importância que os professores têm na vida dos pequenos! Por isso, pais e responsáveis precisam, desde a menor idade, acompanhar seus filhos na escola, conhecer tudo o que se refere a eles e saber o que se passa e é ensinado dentro das salas de aula. Difícil pela falta de tempo? Sem dúvida, mas os pais têm de se aproximar das escolas e ver que os professores do Fundamental II são responsáveis por dar a eles princípios elementares de cidadania, como respeito ao próximo, formas de gerenciar conflitos e vários outros pontos. Agora, os vários mestres deixam de ser somente repassadores de conteúdo para se tornarem orientadores. Eles colaboram no amadurecimento físico, emocional e psicológico das crianças e dos jovens.

Os alunos aprendem regras claras e exigem alguém que tenha domínio do que ensina. Eles querem e precisam ser orientados para a vida e o colégio os ajuda na formação do caráter educacional. Isso é feito por professores bem formados e preparados para agir diante da Geração Z. Por isso que volto a bater na tecla de o Governo Municipal proporcionar reciclagem adequada para os professores. Congressos, workshops, a vinda de especialistas para repassar estratégias e ensinar novos conteúdos para atender as gerações atuais e futuras. O que a Secretaria de Educação de Santos faz não me parece suficiente, pois nesta área o muito ainda é pouco. Precisamos investir mais e mais nos nossos jovens, já que a Educação é um dos pontos que mais preocupam a população (ao lado de Segurança e Saúde, não necessariamente nessa ordem), como mostram praticamente todas as pesquisas.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina e Relator da 14ª turma do Tribunal de Ética na OAB/SP.